A inspiração que o Malê traz
Uma pessoa nunca passa por um rio duas vezes. Porque nada será igual àquele instante em que a pessoa passou, e quanto mais ela demora de passar de novo, mais muda o rio e menos a pessoa se parece com aquilo que já foi no momento em que passou pela primeira vez.
É um dito popular livremente adaptado e inevitavelmente escolhido para essa estranha noite de carnaval em que a vontade de escrever, depois de meses, me ataca e não me deixa dormir até cuspir na tela o sangue e os dentes do murro que eu levei. Merecido, é verdade, necessário, mais verdade ainda. Mas o fato de adiar as situações não significam que elas não vão acontecer. Também não significa que o tempo pára ou que eu deixo de existir enquanto eu não estou. Ainda que eu queira sumir, minha ausência é um atestado inegável da minha presença. O passado sempre cobra o que lhe cabe.
Eu tomei uma decisão para toda uma vida. Eu mesma girei a roda da minha fortuna, e fecho os olhos agora para não ter que calcular estragos enquanto eu ainda não sei a força que eu tenho para seguir adiante. Mas só é seu aquilo que você dá, e enquanto eu não compartilhar minhas decisões com as pessoas, enquanto eu não participar ao mundo minha vida, ela não vai ser realmente minha. Eu preciso estabelecer os meus limites para o mundo perceber o meu espaço e me dar o que é meu por direito. Até esse momento, só sorrisos amarelos e olhos de desculpa. Ainda que não tenha o que sorrir nem me desculpar.
Quem desce pro play tem que saber brincar, e eu estou apostando nisso. Não estou fazendo nada de graça. Eu estou pagando é para ver, de verdade. A merda que der, vai ser a minha merda. Eu já estive na merda antes, já me familiarizei. Eu sei que depois do fim do mundo tem um mar de tranquilidade e um barco com velas infladas de decisão. Saber isso não afasta o medo, mas, sim, a insegurança. É suficiente.
Quem é Samira, e o que ela está fazendo da vida dela é uma boa pergunta, literalmente daria a minha vida a quem pudesse oferecer uma resposta ou uma teoria. A propósito, já o fiz. É exatamente o que estou fazendo. Se vai funcionar ou não, eu não tenho idéia, mas uma coisa qualquer um vai ter que admitir: eu sempre tento uma resposta, nem que seja diferente de tudo, e às vezes é tão diferente que até parece bem usual. Ninguém percebe que é a maçã envenenada a peça-chave para que Branca de Neve seja feliz para sempre…
Só me dêem uma semana e dois dias, e poderei dizer se essa garota é de sugar and spice and everything that’s nice ou se não é assim que a banda toca. Ah, querer não necessariamente tem a ver com poder, então não esperem que eu diga nada, ok? Por quê? Por favor.
PS: O carnaval me trouxe uma estranha e intensa contemplação sobre a musicalidade e a beleza de minha terra, coisa que nunca tinha acontecido antes. Só um ano mesmo fora pra me fazer admirar o axé e o afoxé… Próximo passo, baixar músicas de Daniela Mercury? O.o
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