Esmaltes e biscoito chinês
Para recuperar as palavras perdidas, nada melhor que tentar um pouquinho a cada dia. Quem procura, acha.
Das muitas perguntas e muitas novidades na vida, tem uma coisa certa: descobri que não preciso sofrer tanto. Agora que minha vida apresenta seu drama natural, eu não preciso mais dramatizar nada, porque as coisas já são complexas o suficiente. Mas uma temporada no México me deixou mais britânica: ando meio blasé. Essa overdose de drama mexicano me deixou enjoada de lágrimas, brigas, gritos, desespero. Estou aprendendo a arte de ser impassível.
Estou tentando dedicar uns tempinhos pra mim, tentando fazer as coisas com calma, investindo no que eu gosto. E, mais importante que tudo mais, tentando descobrir o que eu gosto. Já dá pra saber que meus gostos mudaram um tanto. Deixei de vez os anos 90, os livros-roteiro-de-filme, e as cores de doer no olho. Parece que estou abandonando a limpeza aparente e adotando uma simplicidade cheia de significado.
De qualquer forma, preciso cuidar mais de mim. Melhorar esse cabelo, comprar uns brincos de algum material decente q n fique inflamando minha orelha, cuidar dos meus pés.
Mas nada disso vai tirar essa minha sensação de que o tempo está me atropelando e não vai me esperar terminar de fazer minhas unhas antes de me botar contra a parede. Preciso urgentemente de um biscoito chinês.
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