Cercas brancas ou muros altos?
Meses que não escrevo nada, longe das palavras, do idioma que me pariu, do conforto de reencontrar-me. Por onde andei? Com quem estive? O que eu fiz? Não sei dizer. Primeiro, secou a fantasia, o sonho. Depois, as lágrimas. Agora, busco minhas antigas companheiras, e não encontro uma só palavra à minha espera. Talvez todas se foram por cansaço. Ou então não as mereço.
Voltei às páginas dos contos de fadas, mas me vejo uma vez mais na pele da princesa na torre. Livre para sair, mas sem lembrar o caminho de casa. Então vivi um dia após o outro, sobrevivi, fiz tudo voltar aos sonhos. E agora? Qual o próximo passo? Cansei de viver a conta-gotas. Quero voltar a aproveitar cada dia, não para sobreviver, mas para encontrar um novo sentido em cada um deles.
Preciso estar sozinha ou preciso ter a força de vontade para reconhecer que acabou a segura e companheira solidão em minha vida? Preciso dar um passo em direção ao precipício e aprender a voar, ou volto e me escondo na segurança do meu passado?
Às vezes eu penso que já tomei mais decisões antes de estar convencida de qualquer coisa…
Preciso urgentemente saber o que eu quero.
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