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não pergunte.

eu realmente não tenho vontade de escrever.

não sei o que aconteceu, mas as palavras secaram em algum ponto dessa estranha jornada.

quem sou eu e o que estou fazendo aqui? não sei.

Tenho a diária e esquisita sensação de que eu devo saber algo que não tenho idéia do que seja, apesar de saber o que é isso há muito tempo.

pq eu estou escrevendo aqui? estou em dívida comigo mesma.

Esmaltes e biscoito chinês

Para recuperar as palavras perdidas, nada melhor que tentar um pouquinho a cada dia. Quem procura, acha.

Das muitas perguntas e muitas novidades na vida, tem uma coisa certa: descobri que não preciso sofrer tanto. Agora que minha vida apresenta seu drama natural, eu não preciso mais dramatizar nada, porque as coisas já são complexas o suficiente. Mas uma temporada no México me deixou mais britânica: ando meio blasé.  Essa overdose de drama mexicano me deixou enjoada de lágrimas, brigas, gritos, desespero. Estou aprendendo a arte de ser impassível.

Estou tentando dedicar uns tempinhos pra mim, tentando fazer as coisas com calma, investindo no que eu gosto. E, mais importante que tudo mais, tentando descobrir o que eu gosto. Já dá pra saber que meus gostos mudaram um tanto. Deixei de vez os anos 90, os livros-roteiro-de-filme, e as cores de doer no olho. Parece que estou abandonando a limpeza aparente e adotando uma simplicidade cheia de significado.

De qualquer forma, preciso cuidar mais de mim. Melhorar esse cabelo, comprar uns brincos de algum material decente q n fique inflamando minha orelha, cuidar dos meus pés.

Mas nada disso vai tirar essa minha sensação de que o tempo está me atropelando e não vai me esperar terminar de fazer minhas unhas antes de me botar contra a parede. Preciso urgentemente de um biscoito chinês.

Cercas brancas ou muros altos?

Meses que não escrevo nada, longe das palavras, do idioma que me pariu, do conforto de reencontrar-me.  Por onde andei? Com quem estive? O que eu fiz? Não sei dizer. Primeiro, secou a fantasia, o sonho. Depois, as lágrimas. Agora, busco minhas antigas companheiras, e não encontro uma só palavra à minha espera. Talvez todas se foram por cansaço. Ou então não as mereço.

Voltei às páginas dos contos de fadas, mas me vejo uma vez mais na pele da princesa na torre. Livre para sair, mas sem lembrar o caminho de casa. Então vivi um dia após o outro, sobrevivi, fiz tudo voltar aos sonhos. E agora? Qual o próximo passo? Cansei de viver a conta-gotas. Quero voltar a aproveitar cada dia, não para sobreviver, mas para encontrar um novo sentido em cada um deles.

Preciso estar sozinha ou preciso ter a força de vontade para reconhecer que acabou a segura e companheira solidão em minha vida? Preciso dar um passo em direção ao precipício e aprender a voar, ou volto e me escondo na segurança do meu passado?

Às vezes eu penso que já tomei mais decisões antes de estar convencida de qualquer coisa…

Preciso urgentemente saber o que eu quero.