Shut your mouth, open your mind.
Sete palmos abaixo das flores, eu sigo cavando. O solo é frio, úmido, escuro, sufocante. Por mais que eu cave, não sei em que direção encontro o ar e a luz.
Eu acreditei, eu continuo acreditando. Quis me convencer de que os príncipes encantados não existiam. Os príncipes encantados não existem. Então porque eu sigo sentada nesta cama, esperando uma ligação, uma mensagem, uma heróica e surpreendente entrada pela porta? Onde estão as flores, os galanteios, a luta contra os dragões? Eu sou a princesa, a trança, a maçã e o caixão de cristal, tudo ao mesmo tempo. Assim um conto de fadas não pode funcionar.
A extrema calma que vem depois do desespero é o pior. É desilusão, é descrença, é indiferença. Ele não vem, eu não vou, ninguém se encontra. A vida é desencontros, sempre foi. Eu não posso cobrar o que nunca foi meu.
Como curar essa escara? Acabando com a pressão. Mas a pressão nunca acaba. Não até o fim.
Sempre acreditei que o segundo semestre era mais rápido, que ia passar voando. Mas fui eu que tirei os pés do chão, e como se estivesse em meio à correnteza mais forte de minha vida, não posso grudá-los de novo ao solo. A corrente não me permite.
Hoje eu preciso mais que um abraço. Hoje eu preciso que me façam chorar, que arranquem tudo isso que está preso dentro de mim. Me sinto como o espírito do rio em A viagem de Chihiro: suja, poluída, estancada. Preciso de uma Chihiro, e o melhor que encontro é um Kamaji.
Profundamente cansada. Preciso abrir os olhos e dormir.