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Orgasmos literários

Como alguns meus já devem saber, tenho andado angustiada com minhas leituras restritas à faculdade. Não é segredo que sou completamente apaixonada por literatura, mas poucos sabem que minha lista de livros interessantes e que contribuíram (muitos ainda contribuem) para minha habilidade como escritora (e crítica do que leio… claro, afinal de contas, nunca vou perder a mania de criticar tudo - principalmente essa minha mania infeliz de criticar) é mais restrita ainda que a lista de livros que leio para a faculdade. Sim, isso é frustrante, e, sim, isso é causado por simples de desmotivada preguiça. Eu poderia ler dez vezes mais do que leio, e vivo distraída com coisas completamente sem importância e que não gosto tanto de fazer. E eu poderia ler livros construtivos, marcos da literatura nacional e estrangeira, mas só cai na minha mão coisas de baixíssima qualidade ou tão pouco produtivas, como jornalismo barato ou best sellers americanos (muitos derivados de jornalismo barato). E fiz isso a minha vida inteira: troquei as grandes oportunidades por mais um livro divertido (e nada mais), mais um presente (de grego, afinal de contas, quando ganho um livro de presente, me sinto obrigada a ler), mais indicações infelizes. Sim, e o que raios isso tudo tem a ver com o post de hj?

Bem, estava eu caminhando pela rua, quando me bati de frente com a cara mais simpática do velho mais divertido da literatura brasileira: claro, Suassuna. Revista Língua Portuguesa. Aproximei-me cautelosamente (não sou dada a comprar coisas caras fora do meu orçamento - exceto para os outros e as coisas inúteis) da revista e comecei a analisar as suas reportagens. E finalmente, depois de visitar as redondezas refletindo sobre a revista, num ímpeto corajoso, comprei. Estou lendo a revista com a sensação de quem bate uma com o cérebro: cada linha é um prazer de estremecer o corpo. Ainda não li toda, que é pra aproveitar cada pedaço, quem nem sobremesa chegando no fim. E daí?

Daí a minha frustração e mais um plano para esse ano (e espero, para o resto da vida): eu vivo num país de merda, mas a nossa cultura, sempre acreditei, é riquíssima (apesar da pobreza de pensamentos…). Assim, sendo, que raios eu estou perdendo tempo com americanos, ingleses, franceses, espanhóis, chilenos e o caralho a quatro??? Fodam-se todos!!! Minha prioridade máxima é minha língua, pela qual sou tão apaixonada (ler tradutor costuma ser um martírio para mim, gosto de beber na fonte). Assim, esse semestre, quero me deitar com meus queridos Suassuna, Clarice, Graciliano, Euclides… Enquanto meu dinheiro e minha estabilidade não chegam e não posso realizar o sonho maior de fazer uma faculdade de letras, não vou ficar esperando para conhecer minha língua. Vou tentar mergulhar a fundo nela - e queiram os céus que eu consiga - e ser uma Tempestade com idéias mais líricas… Ao orgasmo, e avante!!!

Perguntas de Português III

Mais uma, antes que eu esqueça! Que atire a primeira perna o baiano que nunca falou “é vem”, “é vai”, etc! Agora que atire a segunda pedra quem sabe como isso foi parar aí. É vem??? Quando dois verbos estão assim, tão juntinhos, eu imagino que um seja auxiliar do outro, mas parece que o “é” funciona como advérbio (”lá vem”), como sujeito (”ele vem”), ou até como várias coisas ao mesmo tempo (”ele já está vindo”). O fato é que é um absurdo tão comum de ser falado, que tem até uma música de Raul assim: “ói, já é vem”… (Trem das Sete). Se bem que se Raul disse, é pq tah certo… XD

Mas eu continuo aceitando explicações sobre esse estranho fenômeno!

Novos tempos…

Eu precisava desesperadamente inaugurar este novo blog. Ok, ainda está em construção. Não vai ser esse layout, não vai ser em inglês, vai mudar quase tudo. Mas é uma sexta à noite, e eu estou sozinha em casa - finalmente, dessa vez, é por opção.

O que me traz aqui é que eu estou com aquela sensação de que algo deve acontecer. Acho que eu estou prestes a acontecer. Talvez as idéias e projetos que eu estou gestando finalmente nasçam. Ou talvez nasça uma frustração tão grande por não fazer nada que vou continuar assim: escrevendo posts em sextas-feiras solitárias. Não sei, mas tem um gosto bom nisso. Um cheiro bom, na verdade. Aquele cheiro gostoso de quando a gente se enrosca em quem a gente gosta e dá uma fungada boa pra lembrar dos velhos tempos (quaisquer que tenham sido eles). Eu estou lembrando dos meus velhos tempos, enroscada em mim e cheirando meu cheiro. É gostoso lembrar. Espero que seja gostoso reciclar também.

Hoje eu sou biodegradável e reciclável, que nem papel. Um pouco amassada, é verdade, feita em pedaços, também é verdade. Mas, se cortar miudinho e juntar com umas flores, quem sabe eu não viro um belo convite?

Até mais ver, velhas idéias. Bem-vindas, novas tempestades.