Intimidade pública

Posted by admin | Cartas para ninguém, Tempestades | quinta-feira 21 janeiro 2010 19:02

Tenho sido assediada com umas perguntas impertinentes, inconvenientes e totalmente fora de hora, lugar, pessoa ou lógica. Passo um ano sorrindo e sofrendo quase só (créditos aos que merecem esse quase), e, de repente, quando aporto nas terras tupiniquins todo mundo TEM que fazer parte do que pra mim durante todo o tempo foi algo absolutamente íntimo. Por quê?!

Será que as pessoas não percebem que, em uma relação que só cabe dois, o lugar dos demais é ao lado, apoiando, ou longe, de boa, mas nunca no meio? Quem esteve ali pra todas as horas, viveu todas as horas. Quem plantou e cuidou esse momento foi quem viu ele florescer. Não é que eu esteja cobrando a presença de outros em momentos anteriores. Pelo contrário. Só quero que as pessoas percebam que é absurdo me cobrar algo que não pertence a ninguém mais além de mim e de meu marido, e que se quisemos compartilhar com algumas poucas pessoas, isso diz respeito à gente, a mais ninguém.

Infelizmente, eu estou aqui justificando isso porque algumas pessoas ainda não perceberam o sentido do que fizemos. Eu não estava fazendo um evento social, eu estava vivendo o momento mais feliz de minha vida. E tem um monte de gente acabando com esse momento e tirando a cor do que foi totalmente cor-de-rosa porque não entendeu que tem certas coisas que são intimidade pura, e que se algumas pessoas mais participaram desse momento é porque elas foram fundamentais para que esse compromisso fosse selado, não porque eu faça um ranking social em minha vida.

Podemos gritar para o mundo que amamos um ao outro, mas não precisamos. É mais gostoso falar baixinho. Por que eu não avisei ainda ao mundo inteiro? Porque não foi o mundo inteiro que nos ajudou a secar as lágrimas, que riu com a gente quando estávamos felizes, ou que deu todo o impulso para que a gente fosse longe, França, México ou Brasil.

De resto, só posso dizer que quem cobra a presença justifica a ausência. Os que estiveram lá ofereceram a companhia de graça, só com amor em troca. Nada melhor do que celebrar esse momento dessa maneira: só com pessoas que sabem amar doando-se incondicionalmente… A força desse símbolo supera o próprio significado e se transforma em propósito…

Felicidade…

Posted by admin | Tempestades | sábado 2 janeiro 2010 4:08

… É uma cidade pequenina, é uma casinha, é uma colina, qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer amar…

Sei que já botei isso aqui, mas é só pra começar o ano novo com o pé direito e cheia de determinação de ser feliz…

Ao porto, de novo

Posted by admin | Tempestades | segunda-feira 7 dezembro 2009 3:55

Com esse negócio de ir e voltar, estou cheia de bagagem e precisando esvaziar.

Tá difícil escrever quando o mundo dá mais voltas do que o que eu posso acompanhar.

Enquanto isso, vejo séries idiotas, corro pela cidade para fazer as últimas coisas e conhecer os últimos lugares, e vejo maquiagem que finalmente n vou comprar. Mas faz bem desejar.

O blog vai continuar parado, sinto muito. Mas eu agradeço se alguém souber como desbloquear um celular longe dos olhos das operadoras.

Hasta la vista, baby.

não pergunte.

Posted by admin | Tempestades | segunda-feira 30 novembro 2009 4:11

eu realmente não tenho vontade de escrever.

não sei o que aconteceu, mas as palavras secaram em algum ponto dessa estranha jornada.

quem sou eu e o que estou fazendo aqui? não sei.

Tenho a diária e esquisita sensação de que eu devo saber algo que não tenho idéia do que seja, apesar de saber o que é isso há muito tempo.

pq eu estou escrevendo aqui? estou em dívida comigo mesma.

Esmaltes e biscoito chinês

Posted by admin | Tempestades | sábado 21 novembro 2009 5:20

Para recuperar as palavras perdidas, nada melhor que tentar um pouquinho a cada dia. Quem procura, acha.

Das muitas perguntas e muitas novidades na vida, tem uma coisa certa: descobri que não preciso sofrer tanto. Agora que minha vida apresenta seu drama natural, eu não preciso mais dramatizar nada, porque as coisas já são complexas o suficiente. Mas uma temporada no México me deixou mais britânica: ando meio blasé.  Essa overdose de drama mexicano me deixou enjoada de lágrimas, brigas, gritos, desespero. Estou aprendendo a arte de ser impassível.

Estou tentando dedicar uns tempinhos pra mim, tentando fazer as coisas com calma, investindo no que eu gosto. E, mais importante que tudo mais, tentando descobrir o que eu gosto. Já dá pra saber que meus gostos mudaram um tanto. Deixei de vez os anos 90, os livros-roteiro-de-filme, e as cores de doer no olho. Parece que estou abandonando a limpeza aparente e adotando uma simplicidade cheia de significado.

De qualquer forma, preciso cuidar mais de mim. Melhorar esse cabelo, comprar uns brincos de algum material decente q n fique inflamando minha orelha, cuidar dos meus pés.

Mas nada disso vai tirar essa minha sensação de que o tempo está me atropelando e não vai me esperar terminar de fazer minhas unhas antes de me botar contra a parede. Preciso urgentemente de um biscoito chinês.

Cercas brancas ou muros altos?

Posted by admin | Tempestades | quinta-feira 19 novembro 2009 4:19

Meses que não escrevo nada, longe das palavras, do idioma que me pariu, do conforto de reencontrar-me.  Por onde andei? Com quem estive? O que eu fiz? Não sei dizer. Primeiro, secou a fantasia, o sonho. Depois, as lágrimas. Agora, busco minhas antigas companheiras, e não encontro uma só palavra à minha espera. Talvez todas se foram por cansaço. Ou então não as mereço.

Voltei às páginas dos contos de fadas, mas me vejo uma vez mais na pele da princesa na torre. Livre para sair, mas sem lembrar o caminho de casa. Então vivi um dia após o outro, sobrevivi, fiz tudo voltar aos sonhos. E agora? Qual o próximo passo? Cansei de viver a conta-gotas. Quero voltar a aproveitar cada dia, não para sobreviver, mas para encontrar um novo sentido em cada um deles.

Preciso estar sozinha ou preciso ter a força de vontade para reconhecer que acabou a segura e companheira solidão em minha vida? Preciso dar um passo em direção ao precipício e aprender a voar, ou volto e me escondo na segurança do meu passado?

Às vezes eu penso que já tomei mais decisões antes de estar convencida de qualquer coisa…

Preciso urgentemente saber o que eu quero.

Dia de Muertos

Posted by admin | Outros ventos | sexta-feira 30 outubro 2009 17:55

No México, o Dia dos Mortos é uma celebração de origem indígena, que honra os defuntos no dia 2 de novembro. Começa no dia 1 de novembro e coincide com as tradições católicas do Dia dos Fiéis Defuntos e o Dia de Todos os Santos. Além do México, também é celebrada em outros países daAmérica Central e em algumas regiões dos Estados Unidos, onde a população mexicana é grande. A UNESCO declarou-a como Patrimônio da Humanidade.

As origens da celebração no México são anteriores à chegada dos espanhóis. Há relatos que os astecas, maias, purépechas, náuatles e totonacas praticavam este culto. Os rituais que celebram a vida dos ancestrais se realizavam nestas civilizações pelo menos há três mil anos. Na era pré-hispânica era comum a prática de conservar os crânios como troféus, e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.

O festival que se tornou o Dia dos Mortos era comemorado no nono mês do calendário solar asteca, por volta do início de agosto, e era celebrado por um mês completo. As festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl, conhecida como a “Dama da Morte” (do espanhol: Dama de la Muerte) - atualmente relacionada à La Catrina, personagem de José Guadalupe Posada - e esposa de Mictlantecuhtli, senhor do reino dos mortos. As festividades eram dedicadas às crianças e aos parentes falecidos.

Quando os espanhóis chegaram à América no século XVI, se aterrorizaram com esta prática, e no intento de converter os nativos, fizeram as festividades coincidirem com as festividades católicas do Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos. Os espanhóis combinaram seus costumes com o festival centro-americano criando um sincretismo religioso que deu lugar ao atual Dia dos Mortos.

Para os antigos mexicanos, a morte não tinha as mesmas conotações da religião católica, na qual as idéias de inferno e paraíso servem para castigar ou premiar. Pelo contrário, eles acreditavam que os caminhos destinados às almas dos mortos era definido pelo tipo de morte que tiveram, e não pelo seu comportamento em vida.

É uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces, os preferidos das crianças são as caveirinhas de açúcar.

Nas festividades, encontra-se aspectos oriundos tanto dos antigos habitantes centro-americanos, como também, características modernas, adquiridas do contato com a cultura dos colonizadores.

Calaveritas (Caveirinhas)

Chamam-se assim tanto as rimas ou versos satíricos como as gravuras que ilustram caveiras disfarçadas, descritas a seguir:

  • Rimas, também chamadas “calaveras”, são na realidade epitáfios humorísticos de pessoas ainda vivas que constam de versos onde a morte personificada brinca com personagem da vida rela, fazendo alusão a alguma característica peculiar da pessoa em questão. Terminam com frases onde se expõe que o levarão à tumba. É muito comum dedicar as “caveirinhas” a pessoas públicas, em especial a políticos que estejam no poder. Em muitos casos, a rima fala do aludido como se estivesse morto.
  • Gravuras (litografias), geralmente do mestre José Guadalupe Posada, ainda que não desenhou especificamente para o Dia dos Mortos, eram caricaturas que colaborava em diferentes publicações no princípio do século XX no México, que eram usadas nestas datas por sua alusão à morte festiva, tal qual La Catrina.

Símbolos

Caveira dos Dia dos Mortos feita com açúcar, chocolate, e amaranto

  • Caveiras de doce. Têm escritos os nomes dos difuntos (ou em alguns casos de pessoas vivas, em forma de brincadeira que não ofende em particular o aludido) na frente. São consumidas por parentes e amigos.

Pan de muerto (pão de morto), comida típica do feriado

  • Pan de muerto (do espanhol: pão de morto). Prato especial do Dia dos Mortos. É um pão doce enfeitado com diferentes figuras, desde simples formas redondas até crânios, adornados com figuras do mesmo pão em forma de osso polvilhado com açúcar.
  • Flores. Durante o período de 1 a 2 de novembro as famílias normalmente limpam e decoram as tumbas com coloridas coroas de rosas, girassóis, entre outras, mas principalmente de margaridas, as quais acredita-se atrair e guiar as almas dos mortos. Quase todos os sepulcros são visitados.
  • A oferenda e as visitas. Acredita-se que as almas das crianças regressam de visita no dia 1º de novembro, e as almas dos adultos no dia 2. No caso de não poder visitar a tumba, seja porque a tumba não exista, ou a família esteja muito longe para visitá-la, também são feitos altares nas casas, onde se põe as ofertas, que podem ser pratos de comida, o pan de muerto, jarras de água, mezcal, tequila, pulque ou atole. cigarros e inclusive brinquedos para as almas das crianças. Tudo isto se coloca junto com retratos dos defuntos rodeados de velas.

Altar dos Mortos

Os materiais comumente usados para fazer um altar para o Dia dos Mortos têm um significado, e são os seguintes:
  • Retrato da pessoa lembrada: o retrato do defunto relembra a alma que visitará na noite de 2 de novembro.
  • Pintura ou figura das Almas do Purgatório: A imagem das almas do purgatório serve para pedir a saída do purgatório pela alma do defunto no caso de lá se encontrar;
  • Doce círio: Ainda que sejam poucos, têm que ser em pares, e preferivelmente de cor roxa, com coroas e flores de cera. Os círios, ainda mais se são roxos, são sinal de luto. Os quatro círios em cruz representam os quatro pontos cardiais, de maneira que a ala pode orientar-se até encontrar seu caminho.

Patrimônio da Humanidade

Em cerimônia realizada em Paris, França em 7 de novembro de 2003, a UNESCO distinguiu a festividade indígena do Dia dos Mortos como Obra Mestra do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade. A distinção por considerar a UNESCO que esta festividade é:

“… uma das representações mais relevantes do patrimônio vivo do México e do mundo, e como uma das expressões culturais mais antigas e de maior força entre os grupos indígenas do país”.

Além disso, no documento se destaca:

“Esse encontro anual entre as pessoas que celebram e seus antepassados, desempenha uma função social que recorda o lugar do indivíduo no seio do grupo e contribui na afirmação da identidade…”

Além de:

“…embora a tradição não esteja formalmente ameaçada, sua dimensão estética e cultural deve ser preservada do crescente número de expressões não indígenas e de caráter comercial que tendem a afetar seu conteúdo imaterial”.

*Wikipédia, claro.

Atualmente, o Día de Muertos se confunde muito com o Halloween pela óbvia influência americana.  Mas continua sendo maravilhosa e muito mais bonita e interessante que o Halloween. Eu vou pra Pátzcuaro esse final de semana, que é uma cidade que fica de frente para um lago, onde a cerimônia das oferendas vai ser na água. As fotos, depois publico, pq vou mostrar tudo, os lindos e gigantes altares da UNAM, os doces fofos, a explosão de cores que decora tudo, e tuuuuuuudo que puder fotografar e filmar em Pátzcuaro. Por enquanto, fotinhas de internet pra vcs se deleitarem.

Carregando os entulhos ao sol de meio-dia…

Posted by admin | Tempestades | domingo 18 outubro 2009 15:34

Corre, corre, corre…

Diz a senhora…

São três tempos diferentes, um de agir por impulso, outro de sentir os músculos e por ultimo de pensar o caminho incerto… (…)

Corre, corre, corre…

Diz o sincero…

São três penas diferentes, uma de cansar nos primeiros passos, outra de perder a razão da corrida, e por ultimo de sofrer a decepção da derrota ou da vitória… (…)

Corre, corre, corre…

Diz o insensato…

São três oportunidades diferentes, uma de derrubar os muros a(u)tos, outra de sentir o tijolo cair na cabeça, e a última de carregar os entulhos ao sol de meio-dia… (…)

Corre, corre, corre…

Diz o espelho…

São três aquela que eu reflito, uma destemida pela aventura sem hesitações, outra amarrada ao solo impertinente do vale sem rio largo, e a última com asas tão grandes que não reconhece a liberdade matriz de sua essência… (…)

Corre! Corre! Corre!

Diz o horizonte…

Não há como ficar parada…

Suas convicções não deixariam…

Outubro de 2005, outubro de 2009. Lá se vão quatro anos, e sigo agradecida por essa alma tão intensa que passou pela minha vida. Reencontrei essa pérola buscando em meu computador um novo papel de parede, porque não pude fazer isso via internet já que meu vizinho não pagou esse mês. De repente, alí estava, perdido entre as paixões de 2005, o belo papel de parede (Asvision) que Cris fez, com as inscrições acima gravadas sobre a imagem - união realizada por mim.

Poucas pessoas no mundo me leram tão bem, mas menos ainda me escreveram assim. Numa época em que tudo está perdido, nada melhor em que nos ver através de outros olhos para encontrar o que sempre esteve aqui.

Obrigada. Saudades de suas doses descontroladas de vida, ainda mais nesses dias de morte.

Tudo novo de novo

Posted by admin | Tempestades | terça-feira 13 outubro 2009 22:47

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

A música é de Moska. O espírito é meu. O azar é de quem ficar no caminho.

Tears Dry On Their Own

Posted by admin | Tempestades | sábado 3 outubro 2009 14:38

Só tenho uma coisa na qual posso confiar. Minha intuição, e nada mais. E por mais que ela sempre acerte, descobrir entre os meandros de minhas emoções o que é intuição, o que é desejo, ou só falatório alheio parece impossível.

Despedaçada, sem forças, dividida. E, ainda assim, presa em mim mesma. Sinto falta da parede do meu quarto que me dava sábios conselhos todos os dias. Eu preciso desesperadamente de casa.

All I’ll can ever be to you
Is a darkness that we know,
And this regret I got accustomed to.
Once it was so right
When we were at our high,
Waiting for you in the hotel at night.
I knew I hadn’t met my match,
But every moment we could snatch,
I don’t know why I got so attached.
It’s my responsibility,
And you don’t owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity.

He walks away,
The sun goes down,
It takes the day but I’m grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.

I don’t understand,
Why do I stress a man,
When there’s so many bigger things at hand,
We could’ve never had it all,
We had to hit a wall,
So this is an inevitable withdrawal.
Even if I stop wanting you
A perspective pushes true,
I’ll be some next man’s other woman soon.
I couldn’t play myself again,
I should just be my own best friend,
Not fuck myself in the head with stupid men.

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I’m grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.

So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above
A blaze

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I’m grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.

I wish I could say no regrets,
And no emotional debts,
Cause as we kiss goodbye the sun sets.

So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above a blaze that only lovers see.

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I’m grown
And in your way,
In my blue shade
My tears dry on their own.

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I am grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry on their own.

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I’m grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry…

Por que ele parece ser minha única solução? Por que ninguém mais? Por que uma ferida tão profunda só pode ser curada por alguém que não deveria entender nada? Alguém que só aparece depois que as luzes se apagaram e o espetáculo acabou? E por que diabos eu não posso ir direto ao que necessito, e como uma cadela dando voltas sobre o mesmo ponto antes de se deitar, eu fico buscando motivos para não fazer o que eu sei que é inevitável? Como saber se o que eu quero é fruto da necessidade, da intuição, de um capricho ou de uma loucura?

Tudo que sei é que estou me despedaçando e arrastando tudo comigo nessa enxurrada descontrolada. Eu não preciso destruir tudo. Eu posso fazer melhor que isso. Eu só queria acreditar como. Eu não sei mais como eu fazia para acreditar em mim. Tudo é tão confuso que talvez a única solução seja realmente me buscar em outra pessoa. E, no final  das contas, só ando buscando ele porque acredito que de alguma maneira ele pode compreender as palavras que já não querem sair.

Que vontade de morrer e nascer de novo. Agora. Já. Por que eu não posso ser normal?

* Pela primeira vez na vida, de uma maneira patética e inesperada, eu me identifico com uma música de Winehouse. Puta que o pariu de novo.

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